Esta seção da revista SEED News está sendo coordenada pela equipe da área de sementes da Universidade Federal de Pelotas, objetivando esclarecer as inúmeras dúvidas enviadas pelos seus leitores. Envie sua consulta para o e-mail: silmar@seednews.inf.br Em relação a credenciamento de laboratórios de sementes, parece que há vários organismos que atuam no processo. Poderiam comentar a respeito, pois estou em vias de buscar um sistema de credenciamento para meu laboratório? Existem três entidades que fornecem atestados de credenciamento: a ISO (International Organization for Standarization), que é bastante ampla, credenciando também muitos outros processos; a ILAC (International Laboratory Accreditation Cooperation), que credencia praticamente todos tipos de laboratório; e o sistema da ISTA (International Seed Testing Association), específico para laboratórios de sementes. No Brasil, os laboratórios para o comércio interno estão adotando o sistema da ISO 17025 e para o comércio externo o da ISTA. Em termos de custo, a diferença entre ambos é pequena. Lendo uma matéria sobre milho, observei que há um tipo de milho indicado para alta tecnologia, o que parece ser bastante comum, podendo ser visto em folders distribuídos pelas empresas que comercializam sementes de milho. Por que usa-se esta terminologia baseada na tecnologia, em vez de milho híbrido simples, triplo e duplo? Há ocasiões em que a terminologia correta propicia uma percepção de valor equivocada, como é o caso de milho híbrido. Para uma pessoa leiga, o milho híbrido duplo é o melhor, entretanto não é assim, pois o híbrido simples possui mais heterose e assim um maior potencial de rendimento. Para evitar esse mal entendido, as empresas utilizam a tecnologia adotada na produção para posicionarem seus materiais. Em termos de proteção de cultivares, o que significa a exceção do melhorista? Ouço com freqüência termos como este, mas não consigo entender bem. Na lei de proteção de cultivares, de acordo com a convenção da UPOV de 1978 ou a de 1991, é facultado ao melhorista utilizar em seu programa de melhoramento as variedades elites desenvolvidas por outros colegas, sem pagar royalties. A justificativa está em que com isso todos terão acesso a banco de germoplasma com grande variabilidade genética. É bom enfatizar que nem todos concordam com este procedimento, afirmando que isso torna a base genética mais estreita. Entretanto, em uma coisa todos tem razão: a exceção do melhorista para coletar materiais, acelera o aparecimento de mais materiais superiores. Tenho entendido que a melhor forma de detectar se um material contém OGM é através de uma análise de DNA. Assim, é possível utilizar em qualquer parte da planta para identificação? Realmente, a melhor forma de identificar é através do DNA, pois não envolve necessidade de expressão para estar presente, porém nem todas as partes da planta são indicadas para o teste. Por exemplo, em óleo de soja não é possível realizar o teste, pois não possui DNA. Enquanto que, em pellets de soja pode também não ser possível pelos processos de industrialização, entretanto, neste caso, o método da tirinha resolve facilmente o assunto. É importante que o negócio de sementes esteja ocorrendo sem maiores empecilhos, pois com isso todos os segmentos do agronegócio se beneficiam. Neste sentido, gostaria de saber qual é o principal entrave no momento. O negócio é essencial para geração de riquezas, contudo, entraves sempre ocorrem e mecanismos devem ser utilizados, e muitas vezes também desenvolvidos, para que a atividade flua de forma harmônica. No momento, de acordo com uma pesquisa realizada pela International Seed Federation (ISF), o principal problema refere-se à proteção da propriedade intelectual, já que a pirataria de sementes é alarmante na maioria dos países. O pioneiro da análise de sementes, Prof Nobbe, possuía uma grande coleção de sementes datada do século XIX. Com a descontinuidade de seu laboratório, gostaria de saber onde se encontra tão valiosa coleção.
A coleção do prof Nobbe é composta de 9.000 exemplares, que até hoje pode ser considerada grande. Essa coleção encontra-se no laboratório de análise do serviço de certificação de sementes da Dinamarca, que por sinal é o mais antigo laboratório, em funcionamento desde o século XIX. A coleção está muito bem conservada.
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